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Ná Ozzetti
É uma portuguesa, a sua principal fonte de inspiração no disco que a trouxe a Lisboa. Merecedora do Prêmio Bravo! para melhor disco de música popular brasileira, em 2009, Balangandãs aqueceu o grande auditório da Culturgest.
BEP - Acabamos de sair do concerto, aqui em Lisboa. Como é que foi estar aqui conosco esta noite a mostrar o Balangandãs? NO – Foi a realização de um grande sonho, porque eu tenho uma história, muito antiga, de admiração pela Carmen Miranda, que era portuguesa e eu acho que ela teve uma grande importância para o desenvolvimento da música popular brasileira. Ela começou num momento em que a música brasileira estava em formação. Claro que até hoje a coisa foi-se transformando, mas eu acho que ela influenciou tudo o que veio depois. E cantar aqui hoje foi maravilhoso, eu senti muito calor da plateia, achei a plateia muito animada, correspondendo a todas as músicas.
NO – O Balangandãs começou por ser um show, que depois virou um CD, onde eu presto uma homenagem muito pessoal, junto com os músicos que trabalharam comigo, não só à Carmen Miranda, mas aos compositores que fazem parte desse universo, como Ari Barroso, Lamartine Babo, Braguinha e, também, Assis Valente que foi o compositor que a Carmen mais gravou. O repertório desse trabalho é só com essas músicas, que foram gravadas pela Carmen Miranda. BEP – Como é cantar as músicas destes grandes compositores, que Carmen Miranda também cantou? NO – É um enorme prazer, essas músicas fazem parte do DNA do Brasil e é uma matriz muito forte da nossa cultura. Eu acho que todo o intérprete sente muito prazer em interpretar essas músicas. Dá-me muita alegria, muito prazer, muita realização, porque é um repertório que faz parte da minha história e da minha vida, então, para mim, esse é um show eterno que eu posso apresentar para o resto da minha vida. Nós nos debatemos muito sobre esse trabalho, nas matrizes originais e então tentámos manter essas matrizes, demos a nossa leitura, mas de uma forma muito natural sem a preocupação de mudar muito ou modernizar, porque já era moderno mesmo.
NO – Isso demonstra o próprio desenvolvimento da cultura brasileira, que sempre recebeu muita influência de fora. Eu acho que o Brasil tem essa abertura, de receber outras culturas e transformá-las em algo que se torne brasileiro e a Carmen é um grande exemplo disso. BEP – Gravou o primeiro CD solo em 1988. Qual é o balanço que faz destes vinte e três anos de carreira? NO – Eu gosto mais de olhar para a frente do que olhar para trás, então eu estou sempre pensando em novos projetos, mas eu sou muito feliz por ter conseguido realizar as coisas que eu sempre desejei, da minha forma, enfrentando a minha personalidade.
NO – Isso foi uma enorme surpresa, porque eu fui convidada para interpretar a canção Show, dos meus amigos Fabio Tagliaferri e Luis Tatit e a minha preocupação era cantar essa música que é muito linda. E foi muito forte para mim participar do festival, de uma coisa tão grande, com todo esse público global, muitos milhões me vendo ao mesmo tempo, ao vivo. Fiquei muito nervosa, mas ao mesmo tempo foi muita emoção para mim. E aí, quando veio a notícia da premiação, sinceramente, eu não estava esperando mesmo e foi maravilhoso. BEP – O que tem Lisboa de inspirador para si? NO – Lisboa é uma cidade encantadora. Tem algumas cidades no planeta que tem esse algo mais, Lisboa é uma delas, eu acho que é muito linda essa cidade, ela tem uma junção de água com história, com beleza, com arte. E o povo é um povo irmão, realmente eu me sinto muito em casa, aqui. Mesmo porque tem uma grande similaridade com algumas partes históricas de cidades do Brasil – um pouco de Salvador, um pouco de Rio de Janeiro.
Entrevista por Gonçalo Oliveira |
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